A videoarte é um espaço de experimentação onde diferentes linguagens se encontram, se contaminam e se transformam. Entre as artes visuais, a performance, o cinema experimental, a fotografia, a literatura, a dança, a música e as novas tecnologias, a imagem em movimento abre possibilidades para criar, questionar e descobrir outras formas de olhar.
É neste território de cruzamentos e experimentação que surgem as obras desenvolvidas ao longo do Laboratório Imagem em Movimento. Durante três meses, em pleno verão açoriano, num processo de partilha e troca de experiências, Bianca Silveira, Cecília Cana, Lourenço Maçarico, Margarida Tomé Ribeiro, Paula Mota e Tomás Sampaio aprofundaram os seus conhecimentos sobre a imagem em movimento e criaram os seus próprios vídeos, sob a orientação de João Onofre, na componente teórica, e de André Laranjinha, no acompanhamento prático. Desafiados a pensar a imagem e o som como um objeto artístico único, cada participante partiu dos seus interesses e da sua prática para encontrar uma linguagem própria e dar forma a uma obra.
Bianca Silveira imagina uma ilha que permanece para lá do horizonte, entre aquilo que podemos ver e aquilo que apenas podemos imaginar.
Cecília Canas observa fragmentos de vidas que acontecem em paralelo, explorando a forma como o olhar estabelece relações e constrói sentidos a partir de instantes que nunca revelam a totalidade das histórias.
Margarida Tomé Ribeiro explora a expectativa perante aquilo que ainda não aconteceu, num jogo entre a imagem que vemos e a imagem que a nossa imaginação antecipa.
Lourenço Maçarico acompanha, de forma espontânea, o seu grupo de amigos — todos em transição para a vida adulta — entre momentos de cumplicidade e a consciência de uma separação iminente.
Paula Mota cria uma sequência visual instável e onírica, onde duas figuras emergem e se dissolvem, evocando a memória, o sonho e a transformação constante das imagens.
Tomás Sampaio cruza natureza e catolicismo insular através de colagens de imagens e som, criando uma paisagem onde se encontram fé, vigilância e transcendência.
Seis trabalhos, seis formas de olhar e de experimentar a imagem em movimento, que revelam diferentes possibilidades de criação a partir de um território comum: os Açores.
Video art is a space for experimentation where different artistic languages meet, intersect, and transform one another. Situated between the visual arts, performance, experimental cinema, photography, literature, dance, music, and new technologies, the moving image opens up possibilities to create, question, and discover new ways of seeing.
It is within this territory of exchange and experimentation that the works developed during the Moving Image Laboratory emerge. Over the course of three months, during the Azorean summer, and through a process of sharing and exchanging experiences, Bianca Silveira, Cecília Cana, Lourenço Maçarico, Margarida Tomé Ribeiro, Paula Mota, and Tomás Sampaio deepened their engagement with the moving image and created their own video works. The programme combined theoretical guidance from João Onofre with practical mentorship from André Laranjinha. Invited to think of image and sound as a single artistic object, each participant drew from their own interests and creative practice to develop a personal visual language and shape an original work.
Bianca Silveira imagines an island that exists beyond the horizon, suspended between what can be seen and what can only be imagined.
Cecília Cana observes fragments of lives unfolding in parallel, exploring how the gaze establishes connections and constructs meaning from moments that never fully reveal the stories they contain.
Margarida Tomé Ribeiro explores anticipation in the face of what has not yet happened, creating a dialogue between the image we see and the image our imagination projects ahead.
Lourenço Maçarico follows, with spontaneity and intimacy, his group of friends—all on the threshold of adulthood—capturing moments of companionship alongside the awareness of an imminent separation.
Paula Mota creates an unstable and dreamlike visual sequence in which two figures emerge and dissolve, evoking memory, dreams, and the constant transformation of images.
Tomás Sampaio brings together nature and island Catholicism through image and sound collage, creating a landscape where faith, surveillance, and transcendence converge.
Six works, six distinct ways of seeing and experimenting with the moving image, revealing different creative possibilities rooted in a shared territory: the Azores.