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Curadoria
Isabel Nogueira
25 agosto
às 18h30
Local
Conversa 'Decolonialismo, arte e pensamento'

O decolonialismo é uma corrente crítica que procura compreender e questionar as formas de poder, conhecimento e representação que resultaram da expansão colonial europeia, com o seu auge no século XIX e início do século XX, e que continuam, ainda hoje, a influenciar as sociedades contemporâneas, mesmo depois da extinção dos impérios coloniais. Na verdade, mais do que estudar o colonialismo enquanto fenómeno histórico, o pensamento decolonial analisa a chamada colonialidade, conceito desenvolvido por Aníbal Quijano, que designa a persistência de hierarquias económicas, culturais, raciais e epistemológicas criadas durante a colonização.

Neste sentido, e como seria expetável, o pensamento decolonial ocupa também na arte um lugar relevante, nomeadamente, na arte contemporânea, na medida em que desafia as narrativas dominantes que, durante séculos, moldaram a produção, a legitimação e a circulação das obras. Efetivamente, a arte contemporânea emerge como um espaço privilegiado para a problematização das relações entre poder, memória, identidade e território, através de práticas de investigação e de experimentação que recuperam histórias e saberes marginalizados e evidenciam as persistências coloniais presentes nas sociedades atuais. O pensamento decolonial não procura apenas denunciar estruturas de domínio, mas também propor novas formas de representação e de produção de conhecimento, assentes na pluralidade cultural e no reconhecimento da diversidade.

Ao abrir espaço para estas perspetivas, a arte contribui decisiva e ativamente para uma compreensão mais complexa e inclusiva do mundo contemporâneo. Através da criação artística, tornam-se visíveis outras narrativas históricas, outras epistemologias e outras formas de imaginar o futuro. Assim, o pensamento decolonial revela-se não apenas uma ferramenta crítica, mas também uma prática de transformação cultural, capaz de ampliar horizontes de diálogo, justiça e diversidade no campo artístico global. No FUSO deste ano, iniciamos com uma conversa em torno destas questões.

Isabel Nogueira

imagem: Aline Motta

NESTA SESSÃO
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Curator
Isabel Nogueira
25 August
at 18h30
Location
A Conversation on Decolonialism, art and thought

Decolonialism is a critical trend that seeks to understand and question forms of power, knowledge and representation, which resulted in European colonial expansion, peaking in the 19th century and beginning of the 20th century, and still influences contemporary societies today, well past the extinction of those colonial empires. In essence, rather than studying colonialism as a historical phenomenon, decolonial thinking, analyses so-called coloniality, the concept developed by Aníbal Quijano, which delineates the persistence of economic, cultural, racist and epistemological hierarchies created during colonization. 

In this sense, and as expected, decolonial thought also has a relevant place in art, namely contemporary art, so far as it defies the dominant narratives that, for centuries, shaped the production, legitimisation and circulation of artworks. Contemporary art emerges as a privileged space for problematising relationships between power, memory, identity and territory through the practices of research and experimentation, which recover marginalised histories and knowledge, and emphasise colonial persistences still present in current societies. Decolonial thought does not only aim to denounce structures of domination, but also propose new forms of representation and the production of knowledge, based on a cultural plurality and the recognition of diversity.  

By creating space for these perspectives, art decisively and actively contributes to a more complex and inclusive comprehension of the contemporary world. Through artistic creation other historical narratives, other epistemologies, and other forms of imagining the future become visible. In this way, decolonial thought reveals itself as not only a critical tool, but also as a practice of cultural transformation, capable of amplifying the horizons of dialogue, justice and diversity within the global artistic field. This year at FUSO, we are initiating a conversation around these questions.
Isabel Nogueira

ph: ©Aline Motta

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