Aline Motta
Aline Motta (1974, Niterói, Rio de Janeiro) vive e trabalha em São Paulo.Em 1995, licenciou-se em Estudos de Comunicação no Rio de Janeiro (UFRJ) e, em 2004, concluiu os seus estudos em Produção Cinematográfica na The New School University, em Nova Iorque. A sua prática artística recorre ao vídeo, fotografia, instalação, texto, colagem e performance, refletindo sobre memória pessoal e coletiva, identidade e ancestralidade. As suas vídeo-instalações são frequentemente acompanhadas por performances ao vivo. As suas obras têm sido apresentadas e premiadas em importantes espaços de arte e festivais de cinema no Brasil e internacionalmente, integrando também relevantes coleções.Mais informações: https://www.alinemotta.com
Ana Vaz
Ana Vaz é uma artista e cineasta brasileira cujo trabalho e filmes abordam as relações entre o eu e o outro, o mito e a história, através de uma cosmologia de signos, referências e perspetivas. A partir de assemblagens de material filmado e encontrado, os seus filmes combinam etnografia e especulação na exploração das fricções e ficções inscritas tanto em ambientes naturais como construídos. Licenciada pelo Royal Melbourne Institute of Technology e pelo Fresnoy – Studio National des Arts Contemporains, Ana Vaz foi também membro do SPEAP (Sciences Po School of Political Arts), um projeto concebido e desenvolvido por Bruno Latour.
Bouchra Khalili
Bouchra Khalili formou-se em Estudos de Cinema e Media na Sorbonne Nouvelle e em Artes Visuais na École Nationale d’Arts de Paris-Cergy. Abrangendo cinema, vídeo, instalação, fotografia, gravura e edição, a sua prática explora os contínuos imperial e colonial, tal como se manifestam em fenómenos contemporâneos como a migração ilegal e as políticas de memória das lutas anticoloniais e da solidariedade internacional. Profundamente informada pelo legado das vanguardas do pós-independência e pelas tradições vernaculares do seu país natal, Marrocos, a sua abordagem desenvolve estratégias narrativas na interseção entre a história e as micro-narrativas. Combinando práticas documentais e conceptuais, investiga questões de autorrepresentação, agência autónoma e formas de resistência de comunidades tornadas invisíveis pelo modelo de Estado-nação.
Camila Freitas
Camila Freitas (1983, Lauro de Freitas, Bahia) vive e trabalha em Paris.Em 2007, a realizadora licenciou-se em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. Em 2008, especializou-se em direção de fotografia na École Nationale Supérieure Louis-Lumière, em Paris, trabalhando posteriormente como diretora de fotografia em curtas e longas-metragens. Em 2023, concluiu um mestrado em Artes Visuais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente, desenvolve um doutoramento de prática artística na La Fémis (Paris), com a tese Livusias – Cartografias fílmicas nas margens do invisível, que investiga presenças espectrais, tradições orais e transformações ecológicas numa comunidade de ilha fluvial no nordeste do Brasil. Desde 2003, Camila Freitas realizou quatro curtas-metragens e uma longa-metragem, exibidas e premiadas em festivais no Brasil e internacionalmente. Atualmente, encontra-se a desenvolver a sua segunda longa-metragem, Livusias, com o apoio da SP-Cine (São Paulo).Mais informações: https://camilafreitas.art
Dania Reymond-Boughenou
Dania Reymond-Boughenou nasceu em Argel em 1982. A sua família deixou o país em 1994, durante a década negra, para se instalar em Marselha. Aí iniciou os seus estudos na Escola de Belas-Artes e prosseguiu com o curso do Fresnoy – Studio National des Arts Contemporains. A sua média-metragem Le jardin d’essai, filmada em Argel em 2016, foi apresentada em vários festivais, incluindo Angers, Brive, o Cinemed e Belfort, tendo recebido vários prémios. Les tempêtes, a sua primeira longa-metragem de ficção, encontra-se em pré-produção e será filmada em Argel em 2022. O seu trabalho questiona a dimensão ficcional potencial do documentário.
Filipa César
Filipa César nasceu em Portugal em 1975; vive e trabalha em Berlim. Estudou na Faculdade de Belas-Artes do Porto e de Lisboa, na Academia de Artes de Munique e obteve o mestrado Art in Context da Universidade das Artes de Berlim (2007).O seu trabalho questiona a relação entre as imagens em movimento e a sua receção pública. A sua obra interessa-se pelos aspetos ficcionais do documentário e pela dimensão política das imagens, situando-se entre a crónica, o documentário e o cinema experimental.
Janaina Wagner
Janaina Wagner (1989, São Paulo) vive e trabalha em São Paulo, após vários anos a viver em França. Em 2012, concluiu uma licenciatura em Jornalismo e Belas-Artes em São Paulo (PUC-SP/FAAP) e, em 2025, um doutoramento no Le Fresnoy – Studio national des arts contemporains, em Tourcoing, França, em cooperação com a Universidade de Lille. Conhecida pela sua abordagem experimental, cruza cinema, vídeo, fotografia, desenho, instalação, objetos, cenografia e pintura para explorar as fronteiras entre narrativa visual e experiência espacial, bem como para refletir sobre os limites e formas de controlo que os seres humanos estabelecem sobre o seu meio envolvente. As suas obras têm sido apresentadas e premiadas em importantes espaços de arte e festivais de cinema no Brasil e internacionalmente, integrando também relevantes coleções.Mais informações: https://janainawagner.com
Sonia Vaz Borges
Sónia Vaz Borges é historiadora cuja prática interdisciplinar cruza investigação, militância e organização sociopolítica. É licenciada em História Moderna e Contemporânea / Política e Relações Internacionais pelo ISCTE-IUL, em Lisboa, e tem um mestrado em História de África pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Doutorou-se em Filosofia pela Universidade Humboldt de Berlim
Tony Labat
Tony Labat (1951, Havana, Cuba).
Labat emigrou para os Estados Unidos em 1966 e vive atualmente em São Francisco. Formou-se no San Francisco Art Institute, onde também tirou o seu mestrado em Belas Artes. Recebeu inúmeros prémios e bolsas de estudo e de investigação de várias instituições, como a National Endowment for the Arts, Film Arts Foundation, San Francisco, Open Channels, Long Beach Museum of Art, Artspace, San Francisco, e a Fleishhacker Foundation. Atualmente, Labat faz parte do corpo docente do Departamento de Performance e Vídeo do San Francisco Art Institute.
Com uma ironia mordaz e capaz de uma crítica social incisiva, as suas colagens narrativas provocativas e não-lineares confrontam a identidade cultural, a perda e o deslocamento. Adotando uma postura irreverente e muitas vezes subversiva, Labat representa a experiência da diferença e da marginalização a partir da posição mediada do “outro”, e desconstrói os códigos através dos quais os meios de comunicação social reforçam as mitologias culturais. Nas suas pastiches performativas idiossincráticas, imagens apropriadas e metáforas visuais inesperadas, Labat usa o disfarce, a teatralidade, a narração de histórias e a encenação como dispositivos narrativos. Em todos os seus trabalhos de vídeo, Labat usa vídeos de baixa resolução e performance como mecanismos narrativos. As narrativas fragmentadas de Labat, em alguns momentos pungentes e em outros satíricas e agressivas, são articulações brutais da política da alienação cultural.
Ulysses Jenkins
Ulysses Jenkins (1946 - 2026, Los Angeles, Califórnia).
Na sua licenciatura, Ulysses Jenkins estudou pintura e desenho na Southern University em Baton Rouge, Louisiana, conseguindo mais tarde o grau de mestre em artes plásticas na área de vídeo e artes performativas pelo Otis Art Institute (atualmente conhecido como Otis College of Art and Design). Entre 1970 e 1972, antes de frequentar este instituto, trabalhou com o Departamento de Reinserção Social do condado de Los Angeles, ensinando arte a jovens que não eram delinquentes. Em 1989, em Oakland, deu formação em vídeo no âmbito de um programa de intervenção em gangues. Jenkins recebeu inúmeros prémios, incluindo o de investigação para artistas individuais da National Endowment of the Arts, e em 1990 e 1992 ficou em primeiro lugar no Black Filmmakers Hall of Fame em vídeo experimental. Jenkins foi Professor Associado na Claire Trevor School of the Arts, e professor afiliado no programa de Estudos Afro-Americanos na Universidade da Califórnia, em Irvine, até à sua morte em 2026.
A obra de vídeo e multimédia de Ulysse Jenkins é notável pela sua fusão de formas, no sentido de produzir expressões vibrantes sobre como a imagem, o som e a iconografia cultural informam as representações. Jenkins, que começou como pintor e muralista, foi introduzido ao vídeo justamente no momento em que as primeiras câmaras foram disponibilizadas para o público geral, e foi rápido a aproveitar a tecnologia televisiva enquanto meio de transmissão de retratos alternativos das culturas africanas e índigenas, suas próprias heranças, citando o filme Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (1971), de Melvin Van Peebles, como catalisador para este movimento, e o seu apelo aos realizadores negros para que controlassem a sua subjetividade através do controle das representações que a comunicação social fazia deles.