© Camila Freitas
Recorrendo à observação participante, próxima da metodologia da antropologia, a cineasta mostra de uma forma sensível e respeitosa o ritual das velas que a avó pratica em casa para conseguir proteção e bem-estar. A avó relata o seu primeiro encontro com a aparição do caboclo Indaia e partilha outras visões espirituais, antes da artista revelar as suas próprias visões na presença da filha, ainda criança. A cosmologia afro-brasileira (umbanda) mistura elementos indígenas, africanos e católicos. Estas crenças permitem aos praticantes conectarem-se com os mortos, ou com entidades espirituais protetoras e de cura. O filme sublinha tanto a transmissão de práticas espirituais e a matriz das narrativas de visões de uma geração para outra, como a sua importância coletiva na vida diária que ultrapassa a realidade visível. A obra foi concebida como uma instalação de vídeo de dois canais para exposições e mergulha o público em narrativas paralelas.
© Camila Freitas
Employing participatory observation close to anthropological methods, the filmmaker sensitively and respectfully shows her grandmother’s candle ritual at home to ask for protection and well-being. The grandmother recounts her first encounter with the apparition of caboclo Indaia and shares other spiritual visions, before the artist reveals her own visions in the presence of her toddler. The Afro-Brazilian cosmology (Umbanda) blends indigenous, African, and Catholic elements. These beliefs empower practitioners to connect with the deceased or with protective and healing spiritual entities. The film highlights both the passing down of spiritual practices and the matrix of vision narratives from one generation to another, as well as its collective importance in daily life beyond visible reality. The work is conceived as a two-channel video installation for exhibitions and immerses audiences in parallel narratives.