“Sensação de Poder”: Corpos de Resistência

Lori Zippay

Electronic Arts Intermix (EAI) é uma instituição sediada em Nova Iorque dedicada a promover a criação, exposição, distribuição e preservação de imagens em movimento. O arquivo da EAI é composto por mais de 3.800 obras de imagens em movimento, desde os anos 60 até à atualidade, desde obras de videoarte de referência de artistas pioneiros, a obras digitais de uma nova geração de artistas.

Este programa, concebido a partir do arquivo do EAI, apresenta quatro artistas – Anthony Ramos, Carolee Schneemann, Robert Beck e Sondra Perry – que empregam diversas tecnologias de imagem em movimento e estratégias conceptuais, para dar voz às noções de resistência cultural e ação política. Em obras que datam dos anos 60 até à atualidade, estes artistas usam dispositivos metafóricos, como performance direta e apropriação de mass media para responder às condições culturais urgentes da sua época. Em cada uma das obras, o corpo representa um meio carregado de significado para as suas investigações. Traçando um arco através de uma película de 16mm e vídeo analógico a preto e branco, através de uma câmara de vídeo de 8mm para software digital, estas obras também exprimem a evolução e o significado das tecnologias de imagens em movimento como ferramentas para os envolvimentos políticos dos artistas.

A história da videoarte está intrinsecamente ligada à história do videoativismo. No final dos anos 60 e início dos anos 70, o vídeo era considerado uma ferramenta de fazer arte potencialmente radical. Passível de reprodução e mutação, com a possibilidade de divulgação, o acesso democrático que estava em desacordo com a aura do objeto de arte único, o vídeo transportava a ideia de um paradigma “alternativo”, que articulava uma sensibilidade contracultural e, muitas vezes, transgressiva. Os primeiros coletivos de vídeo, assim como artistas individuais pioneiros, empregavam o equipamento portátil Sony Portapak como arma para combater os media e cultura tradicionais.

Cerca de cinquenta anos mais tarde, uma nova geração de artistas desenvolve este legado na era digital, explorando o corpo e as suas representações – especialmente refratados por raça e género – em relação às tecnologias digitais atuais e interfaces, de forma a refletir os seus significados culturais e políticos. Ao longo de cinco décadas e através de tecnologias em evolução, estes artistas traçam investigações ressonantes sobre o poder expressivo dos media como ferramenta de resistência.

Detalhes

Local:MNAA
Horário31 Ago, às 23:15
Duração50′

Lori Zippay

EUA

Em exibição nesta Sessão:

Snows

Snows
Snows
Carolee Schneemann