“Global Groove” Revisitado

Lori Zippay
Global Groove
Electronic Arts Intermix (EAI) é uma instituição sedeada em Nova Iorque dedicada a promover a criação, exposição, distribuição e preservação da arte da imagem em movimento. O arquivo da EAI, com cerca de 4000 obras de imagem em movimento, estende-se dos anos 60 até à actualidade, com trabalhos que vão desde vídeos de referência de artistas pioneiros, a obras digitais criadas pelas novas gerações de artistas.
Este programa, criado a partir dos arquivos da EAI, apresenta dois artistas – Jacolby Satterwhite e Nam June Paik – e duas obras – uma digital e uma analógica, separadas por e durante quarenta anos.
O tema da edição deste ano do festival FUSO – “sustentabilidade” – pode ser analisado em diversos ângulos, e este programa considera a sua relação com uma diversidade cultural e social, vista pelas lentes destes dois artistas e das suas obras díspares. Ambas defendem a ligação das comunidades culturais e sociais através das intervenções dos artistas nas tecnologias dos meios de comunicação e a sua criação de “paisagens media do amanhã” densamente sobrepostas.
O icónico Global Groove de 1973, de Paik, é uma das obras mais conhecidas e influentes na história da vídeo arte, uma colagem electrónica da cultura pop, artistas avant-garde e manipulação técnica. Paik defende a noção inovadora de adoptar e subverter a linguagem e técnicas de televisão para criar uma mistura à escala global: anúncios da televisão japonesa da Pepsi-Cola são sobrepostos com performances de John Cage, Merce Cunningham e Allen Ginsberg; os dançarinos de Devil with a Blue Dress On são intercalados por artistas coreanos tradicionais. Para Paik, que profeticamente criou a frase “Electronic Super Highway” em 1974, a ideia era sugerir uma comunidade remota global unida pela arte e pela tecnologia.
Quarenta anos mais tarde, o jovem artista multidisciplinar Jacolby Satterwhite cria as suas próprias paisagens densamente sobrepostas, com referência à linguagem actual dos videojogos, memes da internet e interfaces digitais. Os reinos de Satterwhite, criados por computador – estratificados por desenhos proliferantes, objectos e performances – abrangem narrativas animadas de memória e identidade cultural e pessoal.
Em Country Ball de 2012, a fantástica paisagem digital de Satterwhite é habitada por avatares fantasiados de si próprio, actuando 100 vezes em frente a um “ecrã verde”. Os filmes caseiros pessoais e as representações informáticas desenhadas à mão dos escritos da sua mãe são integrados de forma fluida na arquitectura do seu espaço digital onírico.
Tal como a obra analógica de Paik, Global Groove, reflectia um optimismo quase utópico da conectividade proporcionada pela futura era digital, a paisagem digital de Satterwhite procura conectar as comunidades através da inserção do analógico: filmes caseiros, desenhos, escritos, o corpo do artista: duas visões de um “ritmo global”, cada uma delas antecipando o futuro e cada uma delas representando a sua própria época.

Detalhes

Local:Museu da Marioneta
Horário:1 Set, às 22:00
Duração:43’
Imagem:Global Groove, Nam June Paik

Lori Zippay

EUA

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