Distribuição de Corpos e Representação das Sobras

Moacir dos Anjos

O Brasil é um país fundado em actos de violência cometidos pelos colonizadores europeus contra os povos indígenas e contra a população negra trazida à força da África e escravizada. É um país que se institui ancorado no racismo. Essa violência, sempre actualizada, promove uma assimétrica distribuição de corpos brancos, negros e mestiços em lugares de lazer, moradia e trabalho, na qual os primeiros possuem poder de movimento e de mando, enquanto os demais são submetidos, por meios diversos, a um regime de circulação regrada e de obediência às ordens dadas. Distribuição hegemónica de corpos por muito tempo reproduzida e confirmada na produção e na composição do campo das artes visuais no Brasil. Criações recentes sugerem, contudo, estar-se a constituir, naquele campo excludente, e em sintonia com transformações em curso noutros cantos, uma representação das sobras, a qual nomeia danos e reclama a condição de parte para aquilo que é considerado resto, redistribuindo, em novos lugares simbólicos, os corpos que habitam o país e o mundo. De modos distintos, os três trabalhos aqui reunidos contribuem para essa mudança, indicando que a sustentabilidade – social, ética, política e cultural – de uma comunidade depende também do combate radical e continuado ao racismo entranhado nas suas instituições, bem como nas falas e gestos dos que dela fazem parte.

Detalhes

Local:MNAA
Horário:31 Ago, às 22:00
Duração:50’
Imagem:bárbara balaclava, Thiago Martins de Melo

Moacir dos Anjos

Brasil

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